Tento re-organizar memórias. Mais para esquerda parece adequado. Exatamente aí, entre a quarta e a terceira prateleira. Não posso vê-la de manhã. E a noite em alguns casos... é bom que seja mesmo aí.

Cuido de minhas memórias em pequenas caixas de palavras e também no vazio do meu travesseiro. Tiro o pó dos porta-retratos e não estou certo que funcione.
Alguém já ouviu o estrondo de um tiro?
Tiro tudo que disse.

Se você estivesse na minha frente no espelho poderias ver como um olho esta destoando do rosto. Poderias ver a berruga em meu nariz, meus tantos cabelos que caem ao re-organizar memórias que não são lembranças. As marcas do sol e do riso. Verias como ando esquecida e preocupada por tudo aquilo que não sei.

No lado direito deixo o espelho. Refletindo sobre tudo que poderia ter sido e será.




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