Morra um pouco




Morra um pouco a cada dia. Pergunte me como.

Hoje morri no transito. Ataque fulminante. Um foi quando parei no semáforo, sufocada pelo calor e baixa pressão, meu coração acelerou e parou. Buzinadas nos primeiros instantes até que os carros percebessem que se tratava de um falecimento. O rosto do menino no banco do carro ao meu lado empalideceu e assim que ele viu o sangue escorrendo de minha boca abraçou a mãe. Na seqüência o ataque ocorreu quando mudava de pistas. Desta vez morri ao volante. Causei uma colisão de carros o que me rendeu diversas fraturas.

Mas a morte que pratico que mais me causa intriga, são aqueles em que respiro fundo, e vou. Um inspiro que acaba sem expiro. Um corpo cheio de ar, endurecido. Uma morte que não depende de lugar ou circunstância, apenas da possibilidade de inspirar.






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